segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Cada vez mais, cada vez melhor...

Tenho que vos dizer, que sou fã incondicional do programa "Plano Inclinado", pela primeira vez em Portugal assiste-se a um programa em que de facto se tiram conclusões através da análise sistemática da realidade, é para mim e para muitos portugueses um momento de tomada de consciência, é quase um momento de psiquiatria colectiva perante uma doença que nos tem afectado. A doença a que me refiro é a positvice , ou seja, o dizer que sim a tudo como se de um processo condicionado se tratasse. Assisti a este movimento se iniciar em Portugal com o Engenheiro António Guterres e é curioso analisar que o mesmo se passou no Reino Unido com Tony Blair. Ambos foram projectos baseados em personalidades extremamente comunicativas e cativantes e curioso ver que os resultados podem ser considerados semelhantes, contudo, com consequências bastante diferentes, pois comparar a economia portuguesa à do Reino Unido apenas pode ser feita se estivermos perante um simples acto de desonestidade intelectual. Mas a verdade é que assistimos a um consequente movimento a favor do dizer que sim, só pelo facto de o dizer, como se fosse apenas necessária a atitude irreflectida para que tudo fosse cada vez melhor. Chamo a atenção para o facto que até esta expressão " cada vez melhor" e por vezes "cada vez mais", terem sido incessantemente repetidas até à exaustão por todos os representantes da técnocracia. O curioso é assinalar que estas expressões passaram para qualquer programa televisivo, em todas as entrevistas, fomos intencionalmente motivados a achar que tudo seria melhor, que o futuro seria cada vez melhor, com cada vez mais oportunidades, que seria positivo. Claramente foi fazer uso da dificuldade natural das pessoas dizerem não, ou seja, a negação da negação como processo de alinhar toda uma população a aceitar um propósito pré determinado. Ainda me recordo das músicas épicas dos Vangelis que incendiavam atitudes pró "progresso", das cores garridas e apelativas do Partido Socialista em contraposição com cores mais sóbrias do Partido Social Democrata. Quem não se recorda disto? Eu digo que só mesmo quem não quiser recordar, pois são realidades ainda bem presentes. Mas estava eu a falar do plano inclinado, que em minha opinião representa um pequeno antídoto para esta cruel realidade que se abateu sobre nós. E o que mais temo é que a situação nos leve a dizer que não só pelo simples facto de termos estado habituados a dizer o sim. No último programa a que assisti, convidaram o presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses, e para lá das informações horripilantes a que fomos submetidos, eis que um facto emergiu da discussão. O Ministério da Agricultura para fiscalizar e coordenar o que se passa efectivamente no sector gasta 400 milhões de Euros, tendo para financiar os projectos própriamente ditos 100 milhões de euros. Sim meus amigos, é uma informação dantesca, andamos nós a falar de como pagar os juros da dívida e perante nós temos um exemplo cabal do problema, o estado é o problema. As autarquias são um problema, o país tornou-se ele próprio um problema. Como resolver isto? Muita coragem política vai ser necessária, mas o que nos pode aliviar é o facto de querendo ou não, quem quer que seja que tome o poder vai ter mesmo de resolver a situação, só espero, que definitivamente, pois que não é possível tornar-se mais claro que a situação não é sustentável, aliás, ela ultrapassou o ponto de retorno, a situação em Portugal tem outra denominação, e para mim ela é simples e directa é putrefacta.

"A inclinação do programa "Plano Inclinado" é tal, que se não tivermos cuidado ainda caímos pela janela." Fernando Miguel Soares

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Reino do Umbigo

Tenho de confessar que a situação actual do meu país não me espanta em nada, isto porque só mesmo quem não queria ver poderia alguma vez pensar que os padrões de "riqueza" exibidos seriam de todo sustentáveis. Sou da opinião de que as pessoas começam a ter uma noção do abismo que têm pela frente, no entanto, tenho sérias dúvidas que tenham a noção da sua profundidade.
Para além do nosso sentido de pertença que temos ao nosso país, continuo a achar que ainda temos de percorrer mais uma distância para entender o que é um país no sentido político, porque, a incessante procura do "reino do umbigo" teve como resultado o que era esperado, quem olha para o umbigo perde obivamente a noção do que o rodeia, é por mais evidente que em qualquer sociedade democrática os interesses fazem parte do cenário, mas, convenhamos que não podem ser o guião.
Agora que provavelmente teremos de passar novamente pela vergonha de sermos governados pelo FMI, a verdade é que não vemos nada do que é essencial ser posto em causa, os senhores do poder continuam a não querer desmantelar o que se criou e por mais que se queira esconder, o corporativismo em Portugal esteve e está punjante. Considero incrível que os responsáveis seja da saúde, da educação, da segurança ou da justiça, começem sempre por falar das condições laborais, do que da qualidade dos serviços prestados aos cidadãos; Considero aberrante que se considere essencial para os serviços estarem bem instalados com as melhores condições possíveis, do que considerar a celeridade e qualidade na prestação desses mesmos serviços aos utentes. Que mundo invertido é este? Não estaremos nós perante uma despudorada explicação da existência de uma vil "cadeia alimentar"?
O mais grave, é que na "cadeia alimentar" consumiu-se o futuro de pelo menos duas gerações; Será que valeu a pena? Houve quem dissesse que "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena", mas o problema é que parece que de facto a alma para além de pequena foi maliciosa, incompetente, inconsequente e irresponsável. E agora? Que caminho iremos trilhar? Com quantas armadilhas nos teremos de confrontar? Com quantos contractos ruinosos nos teremos de conformar? No fim para que é que isto serviu? A quem serviu isto? As respostas terão de ser dadas ao longo do caminho, mas façamos um esforço para esquecer o umbigo e olhar em frente, sabendo com o grau de exactidão possível para onde nos dirigimos. Porque onde estamos hoje nós sabemos, estamos à porta da sopa dos pobres, mas, façamos um esforço para não sermos pobres de espírito, porque, duvido muito que dessa forma possamos proporcionar o futuro que as gerações mais novas merecem. Já que a minha geração vai ter de se conformar com o resultado. Pagar pelo menos os juros.

"Manuel Alegre diz que é um crime o que se está a fazer, e eu digo que foi um crime o que se fez" Fernando Miguel Soares

Realidade Prisional Portuguesa

"Prisões
20% dos reclusos são estrangeiros"

“Em Finais de Junho de 2010 estavam detidos nos estabelecimentos prisionais portugueses 11.535 reclusos, dos quais a grande maioria ( 10.923) era do sexo masculino. As mulheres eram, naquela data, 612.
De acordo com as estatísticas da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais referentes ao segundo trimestre de 2010, 2351 reclusos eram estrangeiros, sendo Cabo-Verde o país de origem da maioria deles. Seguia-se o Brasil, com 298 detidos, Guiné-Bissau (229), Angola (192), Espanha (159) e Roménia (118).
A quase totalidade dos reclusos estrangeiros são homens ( 2168) com mais de 21 anos. Apenas 138 são mulheres a cumprir pena em Portugal.
Segundo os mesmos dados, 89% da totalidade dos reclusos tinham frequência de ensino, dos quais 32% a frequência do ensino básico e 2,1% do ensino superior. Apenas 4,7% não sabiam ler nem escrever.
A pena mais aplicada tanto a homens como a mulheres tinha uma moldura penal situada entre três e seis anos , seguindo-se as penas entre seis e nove anos. As mulheres lideram os crimes a estupefacientes, sendo que nos outros tipos de crimes os homens aparecem em posição de destaque, como é o caso dos crimes contra o património e as pessoas,. Se se analisar o tipo de crime em função da nacionalidade, verifica-se que os estrangeiros lideram os crimes relativos a estupefacientes.
A população reclusa registou, no ano de 2006, 12.636 presos. Desde essa altura que se tem mantido nos valores dos onze mil presos.”

in Boletim da Ordem dos Advogados nº 71 - Outubro 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Jean-Michel Basquiat (1960-1988)

Jean-Michel Basquiat tornou-se activo como artista quando ainda adolescente.
Aos 23 anos de idade,  foi reconhecido mundialmente, tendo sido considerado um talento criativo excepcional por todos os padrões. Ganhou fama e transformou-se um herói cultural junto de artistas mais novos.
A sua carreira durou somente oito anos. Morreu de uma overdose com a idade vinte e sete.

Justiça e Igualdade


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Chico-Esperto

Chico Esperto – é a designação para aquele tipo de pessoas que têm a mania que são mais espertos que os outros, que só contam com a sua esperteza e que não reconhecem nos outros quaisquer tipos de qualidades incluindo inteligência.
Assim e por cá existem muitos chicos-espertos, a maior parte deles importados que para cá migraram porque lá na terra deles já ninguém os aguentava.
Apelidam-se de impolutos , reconhecem-se como verdadeiros bastiões da moralidade, esquecendo-se de todas as tropelias e compadrios que porventura os trouxeram aqui.
Sustentam a sua posição em favores de pseudo-amigos, e apenas mantêm-se por cá até quem os sustenta os querer aturar .
A paciência é algo que se cultiva e certamente iremos esperar pelo feliz momento que o tempo nos irá livrar de alguns erros de percurso que se alimentam da ingenuidade e incapacidade de alguns.