segunda-feira, 14 de março de 2011

Praia da Dona Ana - A catástrofe e a falta de soluções

Na ultima Assembleia Municipal, perante a minha insistência reiterada sobre o estado actual da Praia da Dona Ana e soluções preconizadas para o local, o Srº Presidente da Câmara Municipal de Lagos, informou-nos que durante a próxima época balnear a maior parte da Praia estará "vedada" aos veraneantes, por conta dos diversos perigos de derrocada das falésias.
Instado sobre a resolução do problema o mesmo informou igualmente que essas matérias não são da responsabilidade da Câmara, mas sim de uma entidade regional e que não tinha dados que pudessem prever a resolução dos problemas que assolam a Praia da Dona Ana.
Perante estes factos, os quais deixaram-me perplexo, que mais há a dizer....
Certamente esquecem-se os responsáveis municipais que a Praia da Dona Ana é um dos postais da nossa cidade, certamente se esquecem que mais do que as matérias estarem a cargo da Câmara ou não, deve esta de uma forma resoluta defender os interesses do nosso concelho.
Se perante uma situação de ineficácia total e defronte um problema que urge ser resolvido os nossos representantes municipais que têm a "cor" dos representantes nacionais e regionais não conseguem resolver um problema, será de perguntar o que é que estão a fazer.
Lagos perante uma economia cada vez mais afunilada no turismo e construção não pode adiar ou sequer pensar adiar a resolução imediata e a curto prazo da Praia da Dona Ana.
De uma vez por todas quem governa tem de entender o valor estratégico dos recursos naturais (praias), pois que as mesmas estão para o Algarve e para Lagos, como os poços de petróleo estão para os países produtores desta matéria.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

LENDAS DE LAGOS - O Senhor da Verdade

 
" Lagos fica na Costa do Ouro, pois bem douradas e belas são as suas praias. O seu nome deriva de Lacóbriga, pois tendo sido fundada pelo rei Brigo foi assente num local alagadiço. Já existia 400 anos depois do Dilúvio e 1008 anos antes de Cristo. Era rica e poderosa no tempo de Aníbal Barca, mas o seu nome desapareceu com a chegada dos árabes à Península. Quando Sancho I toma Silves aos mouros, Lagos parece recuperar-se. Vamos, então, à lenda do Senhor da Verdade.
Pois era uma vez a bonita Mariana que vivia em Lagos e namorava o pescador António. Ora ele gostava muito da sua profissão, e ela dizia-lhe que tal não era empecilho para o seu amor, que estaria sempre à espera que ele voltasse da faina. Mas, acrescentava, ai de quem se metesse com ela!
No entanto, havia o Jacinto, com quem António ia pescar e era o dono do barco. Dizia-se o seu melhor amigo, mas cobiçava-lhe a namorada. Ela sabia-o e advertiu o António. Mas ele garantiu-lhe que o outro dia seria o último em que pescava com ele, pois arranjara um dinheiro emprestado e já teria um barco seu.
Nesse encontro António mostrou a Mariana um crucifixo em madeira, que ele próprio fizera, dizendo que o destinava ao seu novo barco. E já estava benzido. Porém, acrescentou, tencionava levá-lo no dia seguinte, no costado do barco de Jacinto. Combinaram então casar na ermida da Senhora da Conceição.--António, não digas nada ao Jacinto sobre o nosso casamento... -- pediu a rapariga, mas ele achou que até era bom que ele se habituasse à ideia. No dia seguinte, com um céu lindo, saíram os dois pescadores de Lagos. Mariana foi à praia despedir-se de António, que ficou muito tempo a olhá-la. Jacinto nem para trás voltou a cabeça.
No dia seguinte, Mariana foi para a praia ver chegar António, mas chegaram todos os barco menos o dele. Demorava e ninguém dizia tê-lo visto. Por último, tardíssimo, chaga o barco, apenas com Jacinto. Contou que uma onda alterosa levara António. Todos acreditaram menos ela. Então fez uma prece para que o Cristo de António viesse à praia dizer o que tinha acontecido, que ele decerto assistira. E todos olharam para a praia onde um objecto acabava de ser trazido pelas ondas. Era o crucifixo. Ela pediu que trouxessem o Jacinto para o confrontar com o Cristo. Trouxeram-no mas ele, sabendo do que se tratava, sempre receou olhar directamente para a imagem. Depois de uma discussão com os pescadores e as suas mulheres Jacinto, pálido, acedeu ao que se lhe pedia, mas quando o fez desatou aos gritos que uma luz o cegava. E acabou por confessar ter assassinado o companheiro.
Ele foi preso, mas a rapariga acabou por morrer de desgosto numa das praias de Lagos. O crucifixo foi levado para a ermida onde Mariana e António iriam casar e lá está, podem ir vê-lo. E o povo ainda recorre a ele chamando-lhe o Senhor da Verdade! Aquela luz de que fala a lenda ficou gravada na tradição. "

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O Mar & Lagos

Lagos terra do mar, sitio que desde tempos imemoriais desenvolveu-se a partir do mar com os olhos postos no horizonte .
Aqui se fixaram gentes de todas as origens e aqui floresceu uma economia centrada no mar e nos produtos do mar.
Desde a industria pesqueira á conserveira, passando pelo comercio marítimo e pelo turismo, Lagos, o seu porto, baía e praias foram testemunhas de todos os períodos de ouro da nossa comunidade.
Sendo que independentemente da época, da “moda” ou da vontade das suas gentes o sucesso de Lagos esteve sempre umbilicalmente ligado ao MAR.
Por muitas razões, estudos e opiniões sempre que pensamos em Lagos, pensamos no MAR, pensamos na sua costa doiro , nas suas águas límpidas no seu peixe fresco, nos areais brancos.
Assim , hoje, devemos olhar para o presente perspectivando o futuro sem esquecer o passado de modo a não errarmos e perdermos a oportunidade de cumprir Lagos.
O Mar hoje, abre novas oportunidades, desde a exploração energética, à exploração piscícola, á exploração turística subaquática, ás embarcações de recreio, á pesca desportiva e outras actividades, existe um mundo de oportunidades .
Mas para agarrar essas oportunidades é necessário visão, perseverança e capacidade de galvanizar todos num projecto comum. A par disto, devemos lutar contra as forças de bloqueio que de uma forma já esperada se mantêm crentes de que o modelo actual de desenvolvimento, embora falido está para continuar. A estas vozes sintomáticas do “fado português” a quem Camões definiu como velhos do Restelo, temos de dizer basta, hoje o mundo e o desenvolvimento da nossa cidade já não se compadece com as vãs esperanças da manutenção de modelos de desenvolvimento arcaicos de cariz “pseudo sociais de esquerda” que implicam a destruição generalizada dos pilares de qualquer sociedade democrática inserida no contexto global de um mundo em permanente mutação.
Assim cumprir Lagos é um imperativo de todos, que se pode alcançar por via da alteração do modelo actual de desenvolvimento, devendo o nosso futuro ser apoiado, entre outras, na maior riqueza que temos, o MAR.




terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Porquê?

Isto de falar da corrupção tem sido um "prato requentado" que de forma repetida nos têm vindo servir. Se pensarmos um pouco, poderemos chegar à conclusão que de facto poderá existir um plano para nos saturar de tal forma que só de ouvirmos falar dela já nem nos apeteça ouvir nem reflectir tanto sobre as causas e muito menos sobre as consequências, contudo, basta voltarmos a pensar um pouco para pelo menos tentar chegar a um ponto de equilíbrio. Senão vejamos, somos um país que embora periférico num contexto europeu encontramo-nos geográficamente no centro do mundo. Sim ! Basta ir buscar um daqueles globos antigos tipo candeeiro e encontrar o nosso lindo rectângulo, ficaremos maravilhados pela sua posição central no planeta, seremos obrigados a olhar para as grandes "auto-estradas" marítimas para perceber porque razão foram os nossos antepassados os "achadores" de "novos mundos". Mas depois inquirimos. Se assim é, onde está a nossa marinha mercante?; com tanto mar onde está a nossa frota pesqueira?;onde está a nossa indústria conserveira?; como estão os nossos portos? funcionam?; para quê tanta auto-estrada se os mesmos estão muito abaixo da sua capacidade?; com tantos recursos marítimos e uma costa de fazer inveja a muitos, onde estão os viveiros de marisco?; com esta riqueza em potência com que o mar nos banha, onde estão os grandes centros de investigação interligados com uma industria possante e inovadora?. Com tamanho desperdício até podía-mos ficar pela costa do nosso amado país, mas, já que começamos, vamos então rumo ao interior. Com uma variedade de microclimas e grande diferença de paisagem onde está a nossa auto-sustentabilidade a nível agrícola?; porque precisamos dos outros para nos alimentar?; porque não somos capazes de produzir em escala?; porque plantam eucaliptos, quando todos sabem as consequências apocalípticas que os mesmos provocam no ecosistema?; porque se desorganizou o território?; porque construímos a nossa malha urbana em círculos intermináveis, ao invés de forçar a requalificação da existente?; porque tendemos a menosprezar o turismo de qualidade cedendo às pressões do lobby da construção civil?; porque não se cuidou da legislação referente ao arrendamento para que todo um país não tivesse de se endividar para adquirir habitação própria?; porque forçamos os nossos jovens a se "qualificar" em áreas já saturadas pelo mercado de trabalho?; porque tendemos a empregar na máquina estatal ao invés de privilegiar a economia real?; porque tendemos a insistir no "instituto da cunha" em vez de enveredar pela meritocracia?; porque falamos de atingir a excelência quando transpiramos mediocridade?; porque é que fizemos aplicar sem qualquer hesitação normas comunitárias que destruiram artes e saberes ancestrais, quando outros países fizeram ouvidos mocos?; porque é que a justiça está desacreditada?; porque é que o enriquecimento sem causa está tão protegido?; porque esbanjamos recursos ao não instituir de uma vez por todas a unidose e a utilização imperativa de genéricos?. Pois é, as respostas a estas perguntas podem fazer-nos chegar a um ponto de "equilíbrio" no que à reflexão do actual estado do nosso país diz respeito. Mas o pior é que este "equilíbrio" é destabilizador. Já se tinha referenciado neste 8600 Lagos de que segundo um estudo do Banco Mundial, se Portugal melhorasse "moderadamente" os seus critérios de governança, os portugueses teriam um nível de vida equivalente ao da Filândia. No estudo, estes aumento de qualidade dos critérios da governança estão intimamente ligados à corrupção, ou falta dela. Entenda-se bem isto e assista-se ao espectáculo de degradação social a que iremos assistir, "Les Miserables" no seu mais profundo e agonizante sentido...

"Um fraco rei faz fraca a forte gente " Luís Vaz de Camões, in Os Lusíadas...

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Aqui vai uma prenda de Natal para todos....

 O natal  é uma época de reflexão e união, onde revemos o ano e estamos com aqueles que mais gostamos. Partilhamos histórias á mesa com aqueles que são parte de nós.Bem ou mal, melhor ou pior do que no ano anterior aqueles que se sentam connosco nesta época festiva são aqueles por quem nós estamos disponíveis para ultrapassar mares de tormentas e tempestades de outro mundo.
Mas a reflexão é também nossa companheira nesta altura, revisitamos eventos, celebramos vitórias do passado e revemos injustiças as quais para alguns de nós eram visíveis mas para a "maioria de todos" apenas agora se revelam.
Pena para Lagos ter a "maioria de todos" conseguido abafar a voz dos poucos ditos desalinhados, que afinal eram quem defendiam a  cidade daqueles que a continuam a afundar.
Em todo o caso é natal, e apesar da crise aqui vai uma prenda, que envolve cultura popular portuguesa, o governo do nosso país e da nossa cidade e a necessidade de mudarmos de vez o paradigma actual da governação portuguesa ( Central e local).

Até para o ano. ( click no link)

http://youtu.be/Hx1pND6ljag

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Cada vez mais, cada vez melhor...

Tenho que vos dizer, que sou fã incondicional do programa "Plano Inclinado", pela primeira vez em Portugal assiste-se a um programa em que de facto se tiram conclusões através da análise sistemática da realidade, é para mim e para muitos portugueses um momento de tomada de consciência, é quase um momento de psiquiatria colectiva perante uma doença que nos tem afectado. A doença a que me refiro é a positvice , ou seja, o dizer que sim a tudo como se de um processo condicionado se tratasse. Assisti a este movimento se iniciar em Portugal com o Engenheiro António Guterres e é curioso analisar que o mesmo se passou no Reino Unido com Tony Blair. Ambos foram projectos baseados em personalidades extremamente comunicativas e cativantes e curioso ver que os resultados podem ser considerados semelhantes, contudo, com consequências bastante diferentes, pois comparar a economia portuguesa à do Reino Unido apenas pode ser feita se estivermos perante um simples acto de desonestidade intelectual. Mas a verdade é que assistimos a um consequente movimento a favor do dizer que sim, só pelo facto de o dizer, como se fosse apenas necessária a atitude irreflectida para que tudo fosse cada vez melhor. Chamo a atenção para o facto que até esta expressão " cada vez melhor" e por vezes "cada vez mais", terem sido incessantemente repetidas até à exaustão por todos os representantes da técnocracia. O curioso é assinalar que estas expressões passaram para qualquer programa televisivo, em todas as entrevistas, fomos intencionalmente motivados a achar que tudo seria melhor, que o futuro seria cada vez melhor, com cada vez mais oportunidades, que seria positivo. Claramente foi fazer uso da dificuldade natural das pessoas dizerem não, ou seja, a negação da negação como processo de alinhar toda uma população a aceitar um propósito pré determinado. Ainda me recordo das músicas épicas dos Vangelis que incendiavam atitudes pró "progresso", das cores garridas e apelativas do Partido Socialista em contraposição com cores mais sóbrias do Partido Social Democrata. Quem não se recorda disto? Eu digo que só mesmo quem não quiser recordar, pois são realidades ainda bem presentes. Mas estava eu a falar do plano inclinado, que em minha opinião representa um pequeno antídoto para esta cruel realidade que se abateu sobre nós. E o que mais temo é que a situação nos leve a dizer que não só pelo simples facto de termos estado habituados a dizer o sim. No último programa a que assisti, convidaram o presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses, e para lá das informações horripilantes a que fomos submetidos, eis que um facto emergiu da discussão. O Ministério da Agricultura para fiscalizar e coordenar o que se passa efectivamente no sector gasta 400 milhões de Euros, tendo para financiar os projectos própriamente ditos 100 milhões de euros. Sim meus amigos, é uma informação dantesca, andamos nós a falar de como pagar os juros da dívida e perante nós temos um exemplo cabal do problema, o estado é o problema. As autarquias são um problema, o país tornou-se ele próprio um problema. Como resolver isto? Muita coragem política vai ser necessária, mas o que nos pode aliviar é o facto de querendo ou não, quem quer que seja que tome o poder vai ter mesmo de resolver a situação, só espero, que definitivamente, pois que não é possível tornar-se mais claro que a situação não é sustentável, aliás, ela ultrapassou o ponto de retorno, a situação em Portugal tem outra denominação, e para mim ela é simples e directa é putrefacta.

"A inclinação do programa "Plano Inclinado" é tal, que se não tivermos cuidado ainda caímos pela janela." Fernando Miguel Soares

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Reino do Umbigo

Tenho de confessar que a situação actual do meu país não me espanta em nada, isto porque só mesmo quem não queria ver poderia alguma vez pensar que os padrões de "riqueza" exibidos seriam de todo sustentáveis. Sou da opinião de que as pessoas começam a ter uma noção do abismo que têm pela frente, no entanto, tenho sérias dúvidas que tenham a noção da sua profundidade.
Para além do nosso sentido de pertença que temos ao nosso país, continuo a achar que ainda temos de percorrer mais uma distância para entender o que é um país no sentido político, porque, a incessante procura do "reino do umbigo" teve como resultado o que era esperado, quem olha para o umbigo perde obivamente a noção do que o rodeia, é por mais evidente que em qualquer sociedade democrática os interesses fazem parte do cenário, mas, convenhamos que não podem ser o guião.
Agora que provavelmente teremos de passar novamente pela vergonha de sermos governados pelo FMI, a verdade é que não vemos nada do que é essencial ser posto em causa, os senhores do poder continuam a não querer desmantelar o que se criou e por mais que se queira esconder, o corporativismo em Portugal esteve e está punjante. Considero incrível que os responsáveis seja da saúde, da educação, da segurança ou da justiça, começem sempre por falar das condições laborais, do que da qualidade dos serviços prestados aos cidadãos; Considero aberrante que se considere essencial para os serviços estarem bem instalados com as melhores condições possíveis, do que considerar a celeridade e qualidade na prestação desses mesmos serviços aos utentes. Que mundo invertido é este? Não estaremos nós perante uma despudorada explicação da existência de uma vil "cadeia alimentar"?
O mais grave, é que na "cadeia alimentar" consumiu-se o futuro de pelo menos duas gerações; Será que valeu a pena? Houve quem dissesse que "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena", mas o problema é que parece que de facto a alma para além de pequena foi maliciosa, incompetente, inconsequente e irresponsável. E agora? Que caminho iremos trilhar? Com quantas armadilhas nos teremos de confrontar? Com quantos contractos ruinosos nos teremos de conformar? No fim para que é que isto serviu? A quem serviu isto? As respostas terão de ser dadas ao longo do caminho, mas façamos um esforço para esquecer o umbigo e olhar em frente, sabendo com o grau de exactidão possível para onde nos dirigimos. Porque onde estamos hoje nós sabemos, estamos à porta da sopa dos pobres, mas, façamos um esforço para não sermos pobres de espírito, porque, duvido muito que dessa forma possamos proporcionar o futuro que as gerações mais novas merecem. Já que a minha geração vai ter de se conformar com o resultado. Pagar pelo menos os juros.

"Manuel Alegre diz que é um crime o que se está a fazer, e eu digo que foi um crime o que se fez" Fernando Miguel Soares